quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Primeira corrida

Corro há um bom tempo. Mas nunca havia participado de uma corrida. Foi então que resolvi enfrentar a primeira corrida da minha vida, a Corrida do Advogado. Afinal, são anos de treino e nenhum de competição.

Comecei devagar. Existia o percurso de 5 e de 10 km. Na época, estava correndo 4 km no Parque da Cidade. Bom, quem corre 4, corre 5 km. Lembrei que existem algumas dicas para o dia anterior à corrida, como fazer uma refeição leve, não sair, não beber e dormir cedo.

Tirando a comida leve, contrariei todas as recomendações: saí, bebi e dormi tarde. Não tão tarde! Duas e meia da manhã. Mas iria acordar às seis pra ajudar a montar um estande para campanha das eleições da OAB de 2009.

Pior do que acordar cedo num domingo, é acordar de ressaca cedo. Nem alongamento eu fiz direito pra correr. Também, depois de colocar banners em postes, carregar cadeiras e mesas, o corpo já tava amaciado, ou morrendo (na hora nem me importava mais). O joelho direito morreu, era a única certeza na hora.

Por um instante de loucura pensei em ficar no pelotão da frente. Mas depois que vi um cara parecido com o Usain Bolt, me toquei do ridículo que seria se ele ficasse pra trás nos primeiros 500 metros. Melhor deixá-lo com a imagem de corredor imbatível das Olimpíadas. Aliás, só não competi em Pequim por causa de uma dor estomacal. Cheguei a tocar o chão da pista de corrida, até dei um beijinho nela.

O que pega mesmo são os minutos antes da largada. Aquela concentração de testosterona, calor e fedor são tempero para um ótimo enjôo matinal. Pior quando fica muito apertado e fica um encostando no outro, aquela “grudação” geral, que lembra carnaval de rua.

Enfim, toca a buzina de largada. E quem disse que comecei a correr. Só após alguns segundos, depois do pelotão da frente dispersar, é que comecei a desenvolver meu potencial velocista.

Comecei a passar todos. Parecia uma Ferrari contra Fuscas. Mas isso aconteceu nos primeiros 1.000 metros. Acho que deve ter estragado a 5ª, 4ª e 3ª marcha da Ferrari. Agora eu era ultrapassado por todos. Então, pensei: “Minha primeira corrida, não vamos exigir tanto”.

Estava tranquilo com todos me passando. Quando, de repente, uma senhora idosa, com os cabelos brancos esvoaçando, me ultrapassou, e com um sorriso no rosto, enquanto eu com cara de sofrimento, de choro. Quanta energia e força de vontade dela.

Resolvi dar um gás no trote e logo estava no meio do percurso, onde existiam pontos de abastecimento (onde pega aqueles copinhos d’água). Sempre quis fazer isso: apertar o copo, beber um pouco e jogar o resto na cara, que nem maratonista.

Na TV parece mais fácil. Peguei o copo, apertei e nada. Tentei tirar o selo de alumínio e não consegui. Só me restava utilizar uma técnica milenar que aprendi com os astutos guerreiros samurais. Com um golpe certeiro, enfiei meu dedo indicador no selo, o que resultou num buraco para saída perfeita da água.

Consegui beber a água. Fiquei tão feliz que até peguei outro copo, para repetir o golpe. Decisão infeliz. Fiquei com a barriga cheia de água. Parecia que eu tinha uma piscina olímpica de ondas no meu estômago.

Nos últimos 2,5 km parecia que, enquanto eu corria, um golfinho nadava dentro de mim. Mas resisti o incômodo e completei a prova em 28 minutos e alguns segundos.

Fiquei feliz com minha primeira corrida, mas preciso praticar essa abertura de copo. Ah, se não fosse a técnica samurai, podia ter morrido de sede!