sexta-feira, 13 de março de 2009

Biblioteca


Já fiz muitos planos na vida, mas em nenhum deles estava em uma biblioteca, estudando oito horas por dia. Pelo contrário, geralmente tem praia, sol, comida, sempre com uma deusa te beijando. Doce ilusão! Voltemos à realidade.


Cadeira dura de madeira, banheiro insalubre, marca-texto, apostilas, livros, leis, barra de cereal, garrafa d’água, Guara Viton e mochila (pra carregar tudo isso).


Os pensamentos que surgem quando se senta para estudar são os mais inúteis: o que vou almoçar; tenho que levar o carro pra revisão; quando irei na loja trocar aquela roupa que não gostei; nossa, que perna cabeluda, preciso me depilar (essa é pras mulheres!). Pros mais boêmios: o que vou fazer no fim de semana (isso na segunda-feira), ou, ainda, pros alcoólatras: preciso ir ao lançamento daquela nova cerveja naquele bar novo, na quarta-feira às nove da manhã.


Não podemos esquecer do fenômeno “Bela Adormecida”. Você pode ter acabado de acordar, daquela noite bem dormida, mas, uma vez sentado na cadeira, o sonífero é injetado. Existe até uma resistência, você esfrega os olhos, lê o mesmo parágrafo dezessete vezes, até a hora que você se entrega ao momento e cochila como uma lhama. ATENÇÃO: Nesta hora é preciso ter cuidado para não babar e manchar as anotações.


Profissão estudante. Jornada diária de oito horas, com intervalo para almoço, não remunerada. Uma das mais árduas profissões, só perde pra faxineiro da rodoviária de Brasília e kamikaze oriental.


Todo dia as mesmas pessoas, cada um com suas manias. Tem aqueles que chegam da academia, outros vêm depois. Tem uns que sempre chegam com cara de sono (efeito “Bela Adormecida” prolongado). Há, também, aqueles que parecem que moram na biblioteca. Toda vez que chego, a pessoa já tá pegando no batente, e quando saio, ainda está no mesmo compasso.


Tem quem lancha quase sempre no mesmo horário. Outros nem lancham, às vezes nem bebem água. Sinceramente, não sei como! Minha cabeça começa a doer se fico mais de 3 horas sem comer e eu bebo água que nem um camelo. Fico imaginando o tamanho do prato dessas pessoas na hora do almoço (outro pensamento inútil).


Outro dia vi uma garota com um livro de Química 3, logo deduz-se que é do 3º ano ou é doida (pra estudar Química, sem mais nem menos). Estudou umas duas horas. Ela chegou junto comigo. Eu, de havaianas brancas, bermuda verde e camiseta branca (quase um piscineiro, só falta a peneira). Ela de tênis, saia e pólo de tenista e, por que não, uma raquete de tênis. Sempre gostei de mulheres com roupa de tenista, fica sexy.


Raras as vezes que eu ficava estudando por duas horas, ainda mais em biblioteca. Só em véspera de prova, claro! As tentações eram grandes, e o pior, é que agora aumentaram.


A única coisa que tenho certeza é que pessoas com essa atitude estão no caminho certo. Ou não! Como dizem os concurseiros: quanto mais estudo, mais tenho certeza que preciso estudar mais.

4 comentários:

Pedro disse...

KKKK realmente Marcelão, tá certo!!! Efeito Cinderella quando pega é para derrubar. Sou quase uma Cinderella kkkkkk

Abração

Chéri disse...

O pensamento voa longe mesmo numa biblioteca. Dá até pra ficar imaginando um texto para um ótimo blog de crônicas. :)

Abraços!!!

Denise Cariello disse...

Adorei o texto.Eu também já estudei em biblioteca e é isso mesmo: dá preguiça, dá fome, dá devaneio, dá sono. Pergunta pro teu pai!
Beijos!!

Anônimo disse...

Nossa! Adorei Marcello! E desse jeitinho mesmo que voce descreveu.
Beijos, Lari.